Minha vida, minha responsabilidade

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Minha vida, minha responsabilidade

Existe uma pergunta que poucas pessoas se fazem com honestidade: até que ponto as escolhas que tomei me trouxeram até aqui?

É mais confortável olhar para fora, para as circunstâncias difíceis, para as pessoas que decepcionaram, para o momento errado, para a sorte que não chegou, para o governo, dentre outros. Não se trata de negar que essas coisas existem. Elas existem, e é fato que nem tudo está sob nosso controle, sendo ingênuo afirmar o contrário.

Mas há uma diferença importante entre reconhecer o que está fora do seu alcance e entregar para isso a autoria da própria vida.

Culpa e responsabilidade não são a mesma coisa

Muita gente passa a vida culpando terceiros pelos próprios resultados,e  em muitos casos, há razões reais para o ressentimento. Pessoas que falharam, situações que foram injustas, oportunidades que não apareceram na hora certa, nada disso pode ser simplesmente varrido para baixo do tapete.

O problema não está em reconhecer o que aconteceu. Está em parar ali.

Quando a narrativa dominante da própria vida é construída em torno do que os outros fizeram ou deixaram de fazer, algo sutil e poderoso acontece: a pessoa sai do centro da própria história. Ela deixa de ser protagonista e passa a ser consequência. E quem vive como consequência, espera. Espera que algo mude, que alguém apareça, que as circunstâncias se reorganizem sozinhas.

Essa espera tem um custo que nem sempre é percebido de imediato. O tempo passa, as situações mudam, mas a sensação de impotência permanece, não porque a vida não ofereceu nenhuma margem de movimento, mas porque o olhar estava tão voltado para fora que as possibilidades internas nunca chegaram a ser consideradas com seriedade.

Assumir responsabilidade não é o mesmo que assumir culpa por tudo. É reconhecer que, naquilo que depende de você, são as suas decisões que moldam sua trajetória.

Já naquilo que não está sob seu controle, que não depende de você, é preciso se adaptar, e essa adaptação parte sim, de você, e essa decisão é totalmente sua.

Essa distinção muda completamente a forma como se enfrenta o que vem pela frente.

O que significa assumir a responsabilidade de verdade

Não é um gesto único, nem um momento de virada dramática em que tudo se resolve, mas uma postura que se repete nas pequenas escolhas do cotidiano, muitas vezes sem nenhum aplauso e sem que ninguém esteja olhando.

Trata-se de perceber que a reação que você teve numa conversa difícil era sua, independente do que o outro disse primeiro, ou que o projeto que não saiu do papel estava esperando por uma decisão que só você poderia tomar.

É entender que o relacionamento que foi deixando de fazer sentido precisava de uma conversa que foi sendo adiada indefinidamente.

Não se trata de carregar o peso de tudo, nem de se punir por cada erro. Trata-se de deixar de terceirizar o comando da própria vida.

Mas há algo libertador nessa ideia, ainda que pareça pesada à primeira vista: se suas decisões têm poder de moldar sua trajetória, então você não está simplesmente à mercê do que acontece.

Você participa, pode interferir, escolher, e isso acontece mesmo quando as opções disponíveis não são as que você gostaria de ter.

Responsabilidade, nesse sentido, não é sinônimo de controle total. É a disposição de responder pelo que está dentro do seu raio de ação, sem fingir que esse raio não existe.

A vida que você tem e a que você constrói

Existe uma diferença entre a vida que acontece com você e a vida que você constrói com o que tem disponível. Se você parar um tempo e refletir, irá perceber. As duas coexistem o tempo todo, e ninguém escolhe todas as condições de partida, e nem todos partem do mesmo lugar.

Mas a pergunta que vale fazer não é sobre as condições de partida, mas sim sobre o que se faz com elas.

Diante do que está ao seu alcance, o que você tem feito? Quais decisões têm sido tomadas conscientemente e quais têm sido simplesmente evitadas com a justificativa de que o momento ainda não é o certo?

Essas não são perguntas fáceis, e podem incomodar, podem levantar a sujeira que ficou guardada durante muito tempo, e é justamente por isso que elas importam. O desconforto que uma boa pergunta provoca costuma apontar exatamente para onde vale a pena olhar.

Assumir que sua vida é sua responsabilidade não é um fardo. É, na verdade, o único caminho real para deixar de esperar que ela mude sozinha.